Porque o Brasil Jamais Exportará Petróleo (2008)

Josino Moraes
Latin America Economic Researcher
www.josino.net
email: josinomoraes@hotmail.com

“O Brasil é um conjunto vazio que pensa ser o centro do mundo”, Ricardo
Bergamini

O Brasil tem uma praga econômica chamada Petrobras. Trata-se de um
monopólio estatal como os do México – PEMEX – e da Venezuela – PDVSA .
Talvez, a falácia da rica Venezuela seja o melhor exemplo. A PDVSA é uma
companhia endividada com produção em queda.  No ápice de sua megalomania
demencial, ela tentou produzir soja!    

Trata-se de empresas com excesso de empregados, com salários
estratosféricos e inumeros outros privilégios. Seus empregados se aposentam
muito cedo, na faixa de 45/50 anos, devido às “más condições ambientais de
trabalho”. Ademais, essas empresas são freqüentemente utilizadas como
elementos na partilha de poder, favores, na venda de idéias populistas, etc.
Como corolário lógico, elas não têm capacidade de investimento.

No começo desses monopólios estatais, há mais de 50 anos, para a maioria
deles, os privilégios aos empregados citados acima não eram tão generosos, e
eles puderam fazer alguns pequenos avanços. Nos casos do México e da
Venezuela, eles puderam avançar um pouco mais, pois eles nasceram como
empresas privadas e seus países se tornaram exportadores de petróleo. Mas,
tratava-se apenas de uma questão de tempo. Sindicatos, fundos de pensão e
governos, em todos os níveis, estavam famintos por novas fontes “fáceis” de
renda. De fato, ninguém consegue viver sem energia; é o melhor dos
monopólios.  

Poderia alguém imaginar uma companhia com tal perfil explorando petróleo a 9
km de profundidade abaixo da superfície do mar, em depósitos tão quentes que
poderiam fundir o metal utilizado para levar o urânio às plantas nucleares?
Ademais, o equipamento requerido teria que suportar uma pressão de 1.250
kg/cm²(quatro vezes a pressão para se romper uma coluna de concreto armado
de alta qualidade) em temperaturas acima de 260º C, com brocas perfuratrizes
capazes de penetrar em camadas de sal  de mais de 1,6 km de espessura
(dados técnicos de Bloomberg.com, 28 de abril, 2008)!

Passemos a analisar apenas o caso brasileiro. Neste ano de 2008, Lula e sua
equipe tentam vender o sonho de uma nova fonte de petróleo em águas
profundas, exatamente tal como descrito acima.

Eles já venderam o sonho do álcool. Os fazendeiros de Ohio, produtores de
milho, ficaram felizes. Vejamos até quando. O Brasil tem um programa
subsidiado para a produção de álcool há mais de trinta e cinco anos!  

O inacreditável é que eles conseguem vender essa idéia demencial a ninguém
menos que o New York Times: “Um enorme campo de petróleo descoberto no
ano passado tem o potencial de transformar o maior pais da America do Sul
num exportador considerável que fará parte do cartel do petróleo”(11/1/2008).
Lula atingiu o maior índice de popularidade jamais registrado.

O Brasil tem um dos piores e mais caros combustíveis do mundo. A gasolina
não tem especificação de octanagem e só se pode comprá-la em determinada
proporção de álcool determinado por lei; isso pode variar de um momento para
outro. Essa é a razão principal do sucesso do álcool no Brasil.

As emissões de ozônio são 43% maiores se comparadas à gasolina da Califórnia
– dados da USP (Folha de S. Paulo, 8/8/08, A26). No caso do diesel, os níveis de
enxofre nas capitais são de cerca de 500 ppm, isto é, 10 vezes mais do que nos
países desenvolvidos e 100 vezes mais do que o nível ideal (O Estado de S.
Paulo, 17/7/08, C2).

Vejamos os preços. É difícil dizer que eles são os mais caros do mundo, devido
a dinâmica dos preços e à dificuldade de compilar as informações. Porém, sem
sombra de dúvidas, eles estão no topo do ranking. Em setembro de 2005,
quando o barril de petróleo estava a US$ 60, o litro de gasolina estava a R$
2,39 e o diesel a R$1,89. Em março de 2008, a Petrobras usando como
argumento o preço internacional do barril a US$ 125, subiu apenas o preço do
diesel (menos votos!) para R$ 2,09. Em julho, com o “novo milagre do
biodiesel”, houve um aumento adicional de 3%! Não é nada fácil carregar um
parasita de tal porte, quando se pensa que a renda per capita no Brasil é
historicamente um décimo da renda dos países desenvolvidos.


  
Notas de Maio de 2009

Esse curto ensaio acima foi escrito em inglês em forma de artigo – 700 palavras
– para, eventualmente, ser publicado num jornal americano. Infelizmente, não
foi esse o caso. Portanto, eu adiciono aqui, onde tenho mais espaço, algumas
notas importantes sobre essa questão.

1-“
Movido a Biodiesel” é a frase, em letras garrafais, que se lê sobre os ônibus
e vans que circulam pela cidade de Campinas. Biodiesel, significa, neste caso,
simplesmente, o acréscimo de 3% de óleo vegetal ao óleo diesel! Uma simples
maquiagem, porém, de profundas implicações para o populismo local. O
fenômeno deve ser nacional.  

2- Em entrevista ao Estado de S. Paulo (27/9/2004), o presidente da Bunge
disse: “O Brasil é hoje um dos países mais competitivos no ramo do
agronegócio”. Isso é uma grande verdade. Porém, acrescentou ele: “Um tema
digno de constante preocupação é o custo logístico. O Brasil tem um custo de
frete do interior até os portos de cerca de US$35/tonelada de soja, enquanto
que nos EUA é de US$ 15, e na Argentina, US$ 14. O principal fator por trás
desse fenômeno absurdo é a existência da Petrobras. Além disso, as rodovias
brasileiras estão arruinadas, como conseqüência natural da atual degradação do
Estado brasileiro.

3- Entre 2003 e 2007, o número de empregados da Petrobras aumentou de
aproximadamente 36 para 50 mil (O Estado de S. Paulo, 2/12/2008, A3). Não
há dados disponíveis sobre o aumento de terceirizados.  Absolutamente,
nenhum aumento da produção no período.

4- O custo da energia elétrica no Brasil é 65% mais caro do que nos EUA
(Correio Popular, 7/7/2007, B16).

5 – Os pobres estão usando cada vez mais lenha para cozinhar (Folha de S.
Paulo, 4/1/2006, B8). Uma matéria do Correio Popular (12/8/2007, A13) afirma
que o uso de lenha está maior do que o de gás de cozinha, produzido e vendido
pela Petrobras.

6- Os terceirizados representam 80% dos acidentes fatais (Rádio CBN,
9/1/2009, 6:00 da manhã). Aos empregados da Petrobras, nem lhes passa pela
cabeça correr tamanhos risco
s.

Notas de Julho de 2009

Uma das manchetes d’O Estado de S. Paulo (7/7/2009, B8) dizia: Produção em
Tupi Para por 4 Meses.

A notícia tem dois aspectos hilários.

Primeiro, tal produção não existe. De fato, lendo o corpo da noticia percebe-se
que se trata de um poço comum em águas rasas na área próxima onde esta
locada a suposta nova descoberta milagrosa do pré-sal.

Segundo, a produção para por quatro meses devido à quebra de um único
parafuso!

A publicação dessa noticia revela ainda o nível de idiotia da mídia local.