| A Ponte Tripla dos Cariocas (2009) Josino Moraes Latin America Economic Researcher www.josino.net email:josinomoraes@hotmail.com O Dia de São Jorge foi instituído como feriado primeiramente na cidade do Rio de Janeiro, em 2001, por lei municipal de iniciativa de Jorge Babu, então vereador pelo PT, ligado a “movimentos sociais” macumbeiros, pois o São Jorge em questão não é o santo católico, e sim um xangô, babalaô, ou seja lá o que for, pois não conhecemos o suficiente da matéria para entrar em detalhes. O feriado tornou-se estadual em 2008, mediante lei de iniciativa do agora deputado estadual petista Jorge Babu e sancionada pelo governador Sérgio Cabral. O mais recente aperfeiçoamento carioca da farra nacional de feriados foi a escolha do dia 23 de abril para ser o Dia de São Jorge. Já se criava, então, a ponte ad aeternum para o dia 22. Assim sendo, nesse ano de 2009, os cariocas, emendaram a segunda-feira (20) graças ao feriado de Tiradentes (21), a quarta-feira, por ser véspera do feriado de São Jorge (23), e mais a sexta-feira. Em matéria de feriados, os cariocas sempre são a vanguarda nacional. A terça-feira de carnaval já se tornou feriado estadual por lá. O Dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra, 20 de novembro, também já se tornou feriado estadual, por enquanto apenas no Estado carioca. Nos outros Estados como um todo, pelo que sabemos, há somente feriados municipais. O mais provável é que, primeiramente, se tornem estaduais, e depois, teremos mais um feriado nacional. Por que o Estado do Rio de Janeiro sempre dá o pontapé inicial quando o assunto é novos feriados? Tal foi o caso, por exemplo, do Dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. Isso se deve ao fato de que, historicamente, uma grande parcela da população carioca sempre viveu de impostos. Quando sede da Corte, o Estado carioca sempre manteve o cofre da Viúva sob sua guarda. Hoje, a Corte se encontra em Brasília. A cultura das emendas de feriados, também conhecidas como “feriadões”, e a cultura da vagabundagem têm ali seu berço. Os feriados oficiais, ou seja, instituídos por leis ou decretos, são apenas uma parte do todo. O carnaval é o melhor exemplo. Nesse período, no Brasil como um todo, não há um único dia de feriado reconhecido pela Lei. Quando não há lei, o próprio povo legisla, e ele sempre opta pela vagabundagem. No entanto, trata-se do maior período de convescote nacional. Na sua maior parte, o Brasil pára durante 5 dias e meio, e o sistema bancário pára durante 4 dias e meio! Haveria algo similar no mundo? Em Olinda e Salvador, a coisa tomou tal gosto que eles varam a semana. A vagabundagem é o principal subproduto do populismo, que, no seu desenvolvimento mais recente (nos anos 30 no caso do Brasil), teve a figura sinistra de Getúlio Vargas, “o pai dos pobres”. Ela é estimulada desde cima pelos poderosos em exercício em busca de popularidade. Hoje em dia, temos o Fome Zero, o Bolsa-Família, o Bolsa-Escola etc. Muitas pessoas, segundo vários testemunhos, se negam a ser registradas em carteira para não perder tais “benefícios”. A cultura nacional, após décadas de populismo de origem getulista, inspirado no fascismo italiano, está maravilhosamente expressa na seguinte reportagem do Estadão (02-03-2003): “- Seu José, o que é melhorar de vida para o senhor? - É ganhar mais dinheiro do governo. José de Sousa Filho, 31 anos, cinco filhos, pequeno agricultor no Tanque de Cima, uma das áreas rurais mais carentes de Acauã, no Piauí, beneficiário do Fome Zero.” Recentemente, Carlos Minc, Ministro do Meio Ambiente, transferiu a “sede” do seu ministério, às sextas e às segundas, para o Rio de Janeiro! Na semana, 4 dias no Rio e 3 em Brasília. Nós que o conhecemos sabemos muito bem que seu forte é o trecho Ipanema-Leblon. Um contraste. Certa vez, em Washington, numa sexta-feira às vésperas do feriado do Dia do Presidente, no final do dia, o motorista no nosso terminal avisou: “Na segunda-feira, o serviço será normal”, ou seja, seria como um dia útil qualquer. De fato, o grosso da população trabalhou como tal. A diferença é enorme. Com a colaboração de Sérgio Pereira . |