| E Agora, o Colapso? (1999) Josino Moraes Latin America Economic Researcher www.josino.net email: josinomoraes@hotmail.com Há aproximadamente um ano e meio recebia um amigo sueco com o qual convivi ao longo de cinco anos no Instituto de Estudos Latino-americanos em Estocolmo e ele, ao ouvir minhas opiniões sobre o futuro imediato do Brasil me retrucou "för pessimistik"- demasiado pessimista. Olhando agora o passado recente me parece que todo aquele pessimismo era pouco. Mas o curioso é que o Brasil, mesmo indo para o despenhadeiro continua sendo um bom negócio para a Ericsson, Tess, etc. Não é intrigante? Não é que eu queira voltar às nossas velhas idiotias leniinistas da juventude, mas agora próximo aos sessenta anos, estas questões merecem novas reflexões. O Brasil, há vinte anos estagnado, continua sendo um bom negócio para muitas multinacionais, mas não para os brasileiros. Elas continuam fazendo dinheiro aqui. A culpa não é delas mas também elas não ajudam em nada. Com ou sem elas nosso destino é ruim. A primeira idéia que me ocorre é que o monopólio, oligopólio, ou hegemonia de mercado é sempre um bom negócio, mesmo que o local esteja indo para o brejo A percepção, para a imensa maioria da população brasileira - via Globo("um caso de amor com você"), SBT, Record e mesmo grande parte da imprensa escrita - que o Brasil poderia quebrar, surgiu em janeiro de 99. Há sempre uma grande distância, no tempo, entre o fato em si e sua percepção, sobretudo,. quando a imensa maioria da população se encontra num lamentável estado mental. Teríamos nos transformado num imenso arraial de Canudos segundo os relatos de Euclides da Cunha? Teria a idiotia se tornada ubíqua no país? A minha grande dúvida hoje é: o Brasil simplesmente quebrou ou caminha para o colapso como a Rússia? Quebrar é o de menos, paisecos do Terceiro Mundo quebram há pelo menos uma centena de anos- vide Peru, decretam moratórias realinham os preços de suas moedas e logo retornam aos seus precários equilíbrios macroeconômicos No entanto, por que dois países com tão diferentes culturas, histórias políticas tão distintas e geograficamente tão distantes teriam que ter em comum o mesmo destino trágico? A Rússia bolchevique se transformou numa grande potência militar e péssima produtora de grãos enquanto que o Brasil se revelou no segundo país que mais cresceu no mundo neste século- até 1987. Pensando um pouco mais o Brasil tem sim alguns traços marcantes em comum com a Rússia: O Banco do Brasil, a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal! Além de um Banco Central que é um mero departamento do Executivo, não é que ele seja amador na administração da moeda e câmbio como cogitou o Rudi mas ele se trata apenas de um braço alongado do Executivo servindo ,as vezes. até para projetos eleitorais. Como bem precisou o ilustre senador José Serra, provável futuro Ministro da Fazenda, quando o teatro assim o exigir, isso seria uma loucura, seria o mesmo que erigir um quarto poder. Um Banco Central independente seria uma esquisitice de economias capitalistas desenvolvidas ,coisa para economias de mercado que nada tem a ver com o subcapitalismo brasileiro. Sem dúvidas, este último, tem muito a ver com o cadáver comunista. Quais as razões para esta dupla tragédia nesta virada de século? É que em ambos os casos houve a destruição do Estado como órgão centralizador e regulador.Os caminhos trilhados foram diferentes porém o resultado em ambos casos foi o mesmo: a destruição do Estado.Temos, sem embargo um pequeno(grande?) consolo: nosso príncipe é abstêmio, sociólogo, Ph. D., Livre Docente e como se tudo isso não bastasse é Doutor Honoris Causa por nada menos que quatro universidades: a de Coimbra e outras três de Primeiríssimo Mundo, isto é,Bolognha, Harvard e a London School of Economics! Esses títulos, seriam apenas frutos de suas relações universitárias ou teriam alguma alavancagem de banqueiros internacionais que mamaram nesses últimos quatro anos até a nossa exaustão? Pensando um pouco mais talvez seja esta a razão de tão profundos estragos em tão poucos anos.Ele é um grande especialista em manipulações. Leu profundamente Maquiavel; não me lembro pois são muitos os anos, mas talvez seja esta a razão do seu apelido. Em 1917 num magistral golpe de mão Lenin tomava o poder na velha Rússia czarista, assassinava a família imperial e muito mais importante que isso: assassinava também as frágeis sementes de capitalismo que lá haviam.Logo construiu um poderosíssimo Estado bolchevique, com nova institucionalidade, que viria a se transformar numa grande potência militar porém com um grave calcanhar de Aquiles: sua total incapacidade para a atividade agrícola .Aquele Estado gerou o maior carniceiro da História, Stalin, e deixou algumas seqüelas ainda atuais, como no caso do barbudo carniceiro do Caribe,tão admirado pelo nosso compositor de sambas e agora provável escritor Chico Buarque de Holanda, filho de um historiador absolutamente inútil.-Raízes do Brasil. Em sua obra encontrei um único parágrafo sobre nossas fazendas de café paulistas, pilares fundamentais do desenvolvimento de São Paulo e por ende do Brasil neste século. No final deste século XX- siglo veinte cambalache problemático e febril - o Império Sovietico e com ele seu Estado ruiram e o mundo percebeu atônito todo o cocô que eles haviam gerado ao longo de 70 anos, apesar de sua enorme capacidade de gerar mísseiis. .Ora, não se destrói um Estado da noite para o dia sem substituí-lo.Ao rei morto rei posto , dita a sabedoria universal. Não foi esse o caso...Não foram criadas as bases institucionais para criação do novo Estado. Que pena para os russos e para o mundo..Os seqüestros e a máfia russa se proliferaram. O que muitos observadores privilegiados da cena russa dizem sobre o capitalismo de compadres parece ter-se generalizado. Não há como cobrar impostos, pagar servidores públicos e nem os credores internacionais.e isso com uma população alfabetizada que sabe ler e não apenas ve novelas na TV.Este o cenário do colapso.O curioso é que o Estado chinês-comunista, conseguiu superar esse problema e hoje cresce à taxas anuais de 8 %! Alguns, já afirmam hoje que os chineses se preocuparam mais com a economia que com as reformas políticas Só estudos mais profundos ex post poderão esclarecer esse enigma. Por que chego a pensar que o Brasil poderia caminhar para o colapso como foi o caso da Rússia? Ora, o Estado brasileiro,apesar das diferenças , também foi destruido.Aqui, as corparações se apoderaram do aparelho do Estado e o destruiram paulatinamente, lentamente, num processo bastante difernte do russo, tais quais tumores cancerígenos emergentes que crescem e formam metástases.Para utilizar um conceito atual, trata-se de um caso assimétrico em relação ao russo. Elas elaboraram a Constituioção de 1988 e isso foi fatal. Ulysses, o jurisconsulto, jnão me refiro absolutamente ao grego,, comandava a batuta, ao lado da velha raposa mineira- Tancredo,velho PSD, e FHC, o poliglota, que mesmo sendo carioca adicionou o B de Brasil à velha sigla mineira metamorfoseando-a em PSDB. O resultado foi bom, o partido ganhou cara de europeu, coisa de civilizado. . . Tudo parecia uma brincadeira tropical e no entanto vejam lá no que deu: um país cujo futuro associo ao colapso russo.. A coisa não eatá apenas ruça, mas realmemente russa.. A absolutamente única tábua de salvação seria que o setor exportador conseguisse uma rápida recuperação. O Brasil de hoje, fevereiro de 99, poderia simplesmente quebrar, reencontrar seu equilíbrio cambial e voltar a crescer ainda que modestasmente pois jamais retomaria, segundo nossa horrorrosa percepção, ao seu crescimento histórico neste século. Isso porque não há como colocar ordem nas contas públicas e portanto nas taxas de juros pois estas exigem, para começo de conversa, quilíbrio externo e interno.. O externo, apesar da atual flutuação suja-via BB a mando do BC que segundo Malan será abençoada e regulamentada nesta semana pelo FMI ,à força da cruel realidade pois não dispomos de uma máquina que imprima dólares para a infelicidade do nosso príncepe deverá ser encontrado, mas e o interno? Um fator complicador para uma queda sustentável nas taxas de juros é um elemento cultural do brasiliano: com crédito fácil e barato ele se torna um voraz consumidor pressionando a demanda e mesmo que a origem de nossa inflação seja basicamente o custo- via Petrobrás, esse é um elemento adicional que joga um papel negativo. Nas economias de mercado associa-se juros a investimentos, aqui não é o caso. Eles parecem jogar um papel mais relevante no consumo. Os principais indícios de um provável colapso são: uma provável correria aos bancos nesses primeiros dias de fevereiro de 99 sinal que a falta de credibilidade atingiu até nossa classe média apesar dos conselhos da TV-Globo; o brutal endividamento da União, Estados e Municípios que se transformou numa bola de neve; os casos extremos dos Estados de Alagoas e Espírito Santo- o Itamar, PT gaúcho e o Garotinho são ainda promessas;:os títulos cambiais(sic) que o BC não conseguiu vender nesta última semana e a situação da planta da Ford em São Bernardo dos Campos.. E possível que novos indícios surgam nas próximas semanas se o tempo assim o permitir. O único aspecto que fala pelo não-colapso é uma rapidísima recuperação do destruido setor exportador, pois nesse aspecto somos diferentes da Rússia. Os dados foram lançados. E desta vez não há sequer a alternativa das embaixadas! |