| Por Que o FMI Erra? (1999) Josino Moraes Latin America Economic Reseqrcher www.josino.net email:josinomoraes@hotmail.com O FMI não erra propositalmente como crêem os marxistas ou filomarxistas brasileiros, que constituem imensa massa dos letrados locais. Neste século, o marxismo, sobretudo no Terceiro Mundo, fez estragos consideráveis. Ele parece ter penetrado no DNA de inúmeros seres humanos. O FMI erra por simples ignorância mesmo, como nós, pobres mortais. A grande tragédia foi e continuará sendo a falta de conhecimento. O FMI não está a serviço do "imperialismo" yankee. Trata-se de um órgão público internacional cuja função atual é cuidar da saúde financeira de paisecos como a Rússia e Brasil. Claro que o Tesouro dos EEUU exerce sobre ele grande influência mas isso é natural uma vez que a economia norte-americana é, com muitos corpos de vantagem, a maior do mundo. A única pena é sua ignorância.. Afinal ele é um mero mortal. Tomara que morra logo, pois compartilhamos os desejos do ilustre senhor Friedman. Não pelas razões dos marxistas mas sim pelas do bom senso. O que subjace na teoria marxista é a idéia que quanto mais pobre os pobres melhor para os ricos. Esta foi a teoria da dependência - versão sociológica light da teoria leninista do imperialismo - da qual o senhor presidente, foi um dos principais epígonos.Velhos tempos, hoje o sociólogo com a devida dica de . Bóris Casoy se converteu em um fiel amante de Deus. O verdadeiro cérebro dessa teoria foi o Sr. André Gunder Frank, alemão, como não poderia deixar de ser. Os alemães raramente fazem asneiras mas quando as fazem as fazem pra valer. Vejam por exemplo, o motor refrigerado a ar. O nosso caso é muitíssimo pior pois em Minas temos um topete, nostálgico do fusca! Que tremenda asneira foi a teoria da dependência do ponto de vista político e econômico. Um país rico torna-se potencialmente um bom comprador- importador! A pobreza não interessa a ninguém, muito menos aos ricos, para quem ela pode até significar uma ameaça. O FMI erra pois não compreende as características da economia brasileira. Seus técnicos raciocinam como se tratara de uma economia de mercado, ou capitalista. Aí está o cerne do problema. A economia brasileira não tem apenas peculariedades em relação as economias de mercado mas sim ela é uma particularidade. Trata-se de uma forma que denominamos de subcapitalismo ou subeconomia de mercado..A mecânica do seu funcionamento é diferente. Senão vejamos: a) O sistema financeiro está predominantemente nas mãos do Estado, a começar por um Banco Central que é um mero departamento do Executivo e portanto sem condições de exercer plenamente suas funções como nas economias de mercado. Além dele temos o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e os inúmeros bancos estaduais.que fnanciam as corporações que se apoderaram dos aparelhos da União, Estados e Municípios. Estes estão e continuarão quebrados "ad eternum", mas e daí? A Casa da Moeda existe desde 1694. O principal elemento na cadeia produtiva nacional - o petróleo - está nas mãos de uma estatal, a Petrobrás - ou Petros - e isso é mortal. Não há como se pensar em uma economia de mercado com sua existência. Dou um exemplo recente: no último ano e meio o preço do petróleo no mercado internacional baixou a metade e aqui ele continuou estável! E isso ma economia de mercado? Hoje, o Brasil se locomove, alimenta-se (gás de cozinha) e dorme (sobre espumas) com produtos fornecidos pela Petrobrás! c) Os monopólios, oligopólios e grandes empresas claramente hegemônicas em vários mercados .têm aqui um peso relativo muito maior no conjunto da economia. do que em economias desenvolvidas - me refiro às empresas tipo Rede Globo de TV, Sadia, Perdigão, Parmalat, Votorantim, Souza Cruz, etc. Aparentemente, hoje, as grandes montadoras deixaram de constituir oligopólio e fazem parte do lado saudável da economia, a saber, o setor competitivo. Onde, claramente, reina uma feroz economia de mercado com suas premissas de competição é no segmento de pequenas e médias empresas agrícolas, industrias e comerciais Quais os requisitos propostos pelo FMI para que o país continue se endividando, no caso, emprestando o seu dinheiro? Austeridade fiscal e política monetária restritiva. Até poucos dias atrás ele apoiava até o congelamento cambial! Mas hoje ele esta mais para o mercado, câmbio flutuante - ma non troppo-, etc. Pois bem, austeridade fiscal via políticas fiscais é algo inexequível, pois as corporações tomaram conta do aparelho do Estado. Política fiscal aqui é cortar o cafezinho, etc. As receitas estatais estão comprometidas em torno de 80% com as corporações de ativos e sobretudo inativos. Ocorre que nossa inflação tem muito pouco a ver com o aspecto demanda, como bem revela a experiência dos últimos quatro anos: o Brasil teve os menores índices inflacionários om a maior farra pública da sua história. Muitos economistas nacionais, como o João Sayad, tendem a se vangloriar desse aspecto: pois a inflação brasileira nada teria a ver com o déficit público. . Eles não sabem que o mistério se chama Petrobrás. Apesar dessas curiosidades locais o equilíbrio fiscal seria condição sine qua non para a estabilidade monetária e possibilidade de futuro. O segundo ponto do receituário do FMI, a prática de taxas de juros astronômicas, também é absolutamente inócuo. Isso, o BC já o faz há dezenas de anos, pois é o único instrumento de política econômica do governo, com excepção do período do Cruzado quando a ordem foi fazer governadores do PMDB de ponta a ponta! O Quercia então laçava bois no pasto, lembram-se? O objetivo sempre foi conter a demanda e nesses anos do congelamento cambial até o fatídico 13 de janeiro passado houve um objetivo adicional : atrair investidores de portfólio ou bem: evitar - desestimular - que capitais nacionais e internacionais procurem refúgio seguro no dolar. Também não adiantou e não adianta nada. O grau de desconfiança no país é tão grande - como no caso da Rússia - que quanto maiores os juros maior a desconfiança. Quanto a demanda, também é um zero à esquerda, a inflação local passa pelo preço do diesel. Dado o enorme incremento no estoque de miseráveis gerado pelo Real nesses últimos quatro anos a melhor receita seria a de juros baixos. Os fatores de produção, capital e trabalho abundam neste momento. Quanto a inflação é só controlar as feras da Petrobrás. Dos bons conselhos do FMI, além da austeridade fiscal, há um que a imprensa não cita e portanto não vem ao debate, a saber, a flexibilização nas relações de trabalho. Isso significa, em bom português, jogar na lata de lixo da história aquela excrescência varguista chamada CLT e a Justiça do Trabalho, aprimoradas pela constituição de 1988. Outros bons conselhos poderia o FMI agregar: a) desmontar a tríade das intocáveis: Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, b) que o Banco Central das duas uma, ou se torna independente como nas economias de mercado, proposta até levantada pelo Chico Lopes após sua demissão, ou então que baixe suas portas. Hoje, existe até a alternativa do "currency board".O Brasil teve uma única moeda- os réis ou mil réis - ao longo de 442 anos! Depois que Vargas deu o pontapé inicial no processo de destruição do Estado brasileiro vejamos o que aconteceu com a criação de nossas moedas: 1) cruzeiro em 1942, 2) cruzeiro novo em 1967, 3) cruzeiro em 1970, 4) cruzado em 1986, 5) cruzado-novo em 1989, 6) cruzeiro em 1990, 7) cruzeiro-real em 1993, 8) real em 1994. Vocês não se lembravam? Oito moedas em apenas 52 anos, não é fantástico? O ciclo militar gerou duas ao longo de 20 anos enquanto que o atual período "democrático"- com um vastíssimo colégio eleitoral- voto obrigatório, voto de analfabetos e menores de 16 anos, diga-se de passagem inimputáveis, em apenas 13 anos gerou 5 moedas, ou seja, em média, uma moeda a cada 2,5 anos! A coisa vai melhorando. Se não houver um controle sobre as feras da Petrobrás, e o mais provável é que não o haja, em pouco tempo estaremos as voltas novamente com o excesso de zeros na moeda! . . . . |