| Vai Que é Sua, Lula! (2006) Josino Moraes Latin America Economic Researcher www.josino.net email: josinomoraes@hotmail.com O título deste artigo é uma expressão típica de Galvão Bueno quando “narra”, sobretudo torcendo “patrioticamente pelo País”, partidas de futebol pela TV – a bem da verdade, ele torce pelo aumento de seu saldo bancário! Por que Lula, provavelmente, se reelegerá? Em primeiro lugar, porque sua equipe soube explorar, via mídia, obviamente, o sentimento de megalomania demencial brasileira: “O Brasil é o maior do mundo”; “Santos Dumont inventou o avião”; “Ruy Barbosa, a Águia de Haia”, foi à Inglaterra ensinar os ingleses a falar inglês” etc. Em março, Lula faturou alto: “Após passar tropas em revista, Lula chegou ao Palácio de Buckingham em uma carruagem real, acompanhado da rainha Elizabeth II.” Neste “centenário da invenção do avião”, a equipe ajeitou a ida, alguns dizem até que a programação foi adiantada (Folha de São Paulo, 31/03/06, A3), de uma carona muito bem paga numa nave soviética, a velha e segura Soyuz, até a Estação Espacial Internacional. Uma das manchetes foi Brasil Já Faz Parte da Elite Espacial (Correio Popular, Campinas, 30/03/06, B5); outra, d’O Estado de São Paulo, 04/04/06, A17, foi ainda mais audaz, Viagem de Pontes é como Expedição de Colombo(!). Fátima Bernardes, esplendorosa como sempre, conversava ao vivo, no vídeo, com Marcos Pontes, o novo “astronauta”. Até Lula trocou palavras com o novo herói nacional. Tratava- se de um “astronauta” de um país que nem sequer possui um único lançador de naves espaciais! Em segundo lugar, porque a equipe de Lula soube explorar muito bem uma das facetas do populismo latino-americano: nesses dias, Lula comeu frango – que está baratíssimo – com as mãos, no aniversário de sua Galega, Dona Marisa. A idiotia nacional é um objeto de estudo fascinante. Tudo isso poder-se-ia resumir como a linguagem do populismo. Getúlio Vargas dizia: “Não sou candidato de partidos, sou candidato do povo”. Jânio Quadros comia pão com mortadela e seus ternos viviam cobertos de caspas. Adhemar de Barros, quando caía bêbado nos palanques de cidades do interior de São Paulo, exclamava: “Beijo esta terra como se fosse a minha!”. Anthony Garotinho, após uma importante vitória eleitoral, ajoelhando-se sobre o piso, exclamou algo assim como: “Beijo esta terra que é a terra do povo de Deus!” Fernando Henrique Cardoso, com toda sua elegância, própria de universidades francesas, comia buchada de bode em suas campanhas eleitorais pelo nordeste. Trata-se, por parte da Nomenklatura política, de uma técnica de aproximação com o povo, a patuléia. Há, ate mesmo, uma tentativa de identificação. Lula, por exemplo, põe quepe de capitania, cocar de índio, joga futebol etc. Em terceiro lugar, devido à faceta pecuniária e, em algumas oportunidades, até econômicas do populismo. Trata-se dos chamados “gastos sociais”, ou “dívida social”. Esta faceta se manifesta via programas assistenciais (Bolsa-família, Bolsa-escola, Auxílio-gás, Farmácia Popular etc.) e via fixação do salário mínimo e do período de sua vigência. Lula fixou um mínimo de R$ 350, um aumento de quase 17% contra uma inflação oficial pouco superior a 3%. Além disso, ele adiantou em um mês o reajuste, de maio para abril, e concedeu um adiantamento de 50% do 13º já em setembro, às vésperas das eleições. Em alguns casos, a tarifa de luz cai para consumidores residenciais, enquanto há um aumento astronômico para os consumidores industriais. Ora, os consumidores residenciais têm muito mais votos do que os industriais! Muitos poderiam perguntar-se: e o crescimento econômico, a geração de empregos, a emigração em massa e a intensidade da guerra local? Afinal, mesmo estando no lado ruim do mundo, o Brasil só cresceu, em 2005, mais do que o Haiti. O lamentável estado mental da população não permite atinar com essas questões. Mas, há também um aspecto sábio do povo: qualquer outro candidato não mudaria bulhufas! |