Metamorfose dos Neobolcheviques? 2003)

Josino Moraes
Latin America Economic Researcher
www.josino.net
email: josinomoraes@hotmail.com

O governo Lula Cardoso da Silva, nestes primeiros seis meses de 2003, traz
uma nova questão à tona.

Definições:

Bolcheviques - membros - revolucionarios - da ala dissidente da II
Internacional associados à figura de Lenin. Os petistas sao aqui tratados como
neobolcheviques.

Mencheviques - membros da II Internacional (social-democracia) associados a
Kerensky, que reapareceram no Brasil com o nome de tucanos (PSDB). Aqui
tratados como neomencheviques. A idéia central destes é apenas refestelar-se
nos seios estatais, como todos os demais políticos do Brasil, sem modificar
suas instituições. Teriam os neobolcheviques se transformado em meros
neomencheviques? Os neobolcheviques se referem aos neomencheviques como
neoliberais, como nesta manchete recente do Estadão: “Economistas criticam
‘neoliberalismo’ de Lula”.

Qual a política desses saqueadores legais de nosso pobre povo, parasitas e
verdadeiras sanguessugas do Estado Brasileiro? Aqui, há que diferenciar a
política interna da externa dos neobolcheviques. No tocante à política externa,
continuam fiéis  escudeiros do que resta do comunismo internacional, como se
pode observar no seu apoio entusiasmado a Cuba, às Farc, ao ELN, a Hugo
Chávez, a Saddam Hussein etc. Quanto à política interna, até o presente,
continuam meros motorneiros sobre trilhos traçados pelo Comandante Cardoso
e pelo famigerado FMI. Se isso continuar assim pelos próximos anos, terei que
escrever meu mea culpa devido às minhas profecias de maio de 2002, quando
previ um governo Lula à la Allende, em 1973. Devo aguardar, afinal, há
promessas de campanha, Babás, Heloísas e até mesmo o evangélico Alencar,
do Partido Liberal, pregando taxas de juros mais "humanas" etc. Até aqui, não
há escassez de produtos, mercado negro, congelamento à vista etc. Apenas a
trava do dólar a 3, graças a “ajuda” nefasta do FMI. Até aqui, o manso ritmo de
piora d´El Comandante Cardoso. Uma leve piora no ritmo descendente. Ainda
bem.

O governo tucano, nos seus longos oito anos, reduziu a renda per capita em
35%, dobrou a dívida pública, elevou a carga tributária em 25%, elevou em
40% o nível médio de desemprego aberto etc. Na cidade de São Paulo, surgiu,
em média, uma favela a cada oito dias. O número de assassinatos por 100 mil
habitantes/ano e invasões por parte dos MST´s tiveram considerável aumento.
Portanto, no mesmo ritmo de piora para os próximos quatros anos, poderíamos
prever apenas uma queda de 18% na renda per capita, de US$ 2600 a 2100,
50% a mais de dívida pública, de 60% do PIB para 90%, aumento da carga
tributária de 13%, de 36,5% do PIB para 41%, aumento do nível médio de
desemprego aberto de 20%, de 11,7% para 14%, apesar de que, em junho, já
batemos nos 13%. Este o cenário cor-de-rosa.

Os comunistas, no caso, a facção neobolchevique, não têm caráter, palavra
etc., mas e se eles, premidos pelas circunstâncias, decidissem levar a cabo
suas promessas de campanha? Aquilo que eles pregaram, tão bem treinados,
entre outros, pelo "cubano-brasileiro" Zé Dirceu, durante vinte anos, e os Babás
e Heloísas da vida, a facção que não aceita a idéia de uma eventual
metamorfose, acreditaram ser de coração. Aí, então, "o bicho pega". Não
escreverei  meu mea culpa. Aquele cenário cor-de-rosa citado acima
desaparecerá do mapa. Minhas profecias de maio de 2002 se realizarão em
cheio. E o país? A velocidade de piora se duplicará ou triplicará, a curto prazo.
Que sorte ou desgraça nos reservará o futuro?

O pilar central descansará sobre os militares. Pinochet, caso único na história
humana até onde vão meus conhecimentos, assentou as bases para o futuro do
Chile, começando com uma verdadeira reforma da previdência e das demais
instituições. Hoje, até os chamados socialistas podem governar o Chile com
segurança rumo ao futuro. A bem da verdade, atualmente, só existem
aposentadorias no Brasil, prematuras e muitas vezes múltiplas, para os
privilegiados do setor público e das estatais. Seriam os militares brasileiros
capazes de tal façanha? E o Montepio Civil da União? Do contrário, teríamos um
novo 1964 e, em 2044 (se não houver uma intervenção internacional anterior),
quando a renda per capita estiver batendo nos US$ 1000, um novo Lula para
reiniciar um novo ciclo.