| Por Que o Brasil Rodou ? (1998) Josino Moraes Latin America Economic Researcher www.josino.net email: josinomoraes@hotmail.com No mais distante dos interiores brasileiros rodar é um verbo que, na sua acepção econômica , é sinonimo de quebrar. A imagem é ótima pois rodar significa perder o apoio, a âncora ou a corda que une à barranca do rio.. A origem,provavelmente, advém de nossa forte ligação cultural com nossos grandes rios, eles e os fatos da vida a eles relacionados tem uma enorme significado em nossas vidas O Brasil rodou, em primeira instância, porque o governo e sues porta-vozes, sobrtudo eus economistas oficiais e oficiosos, não conseguiram convencer o mundo- "globalizado"- apesar da contudente ajuda da imensa maioria da mídia local,sobretudo a televisiva;. da saúde da economia nacional fruto desses primeiros quatro anos de reinado tucano.. A nível doméstico, convenceram 99,9999% das pessoas- estimativas pessoais para setembro de 98- porém, , falharam no convencimento aos banqeueiros locais e internacionais, administradores de fundos de pensão de velhinhos que vivem em Miami e poucos porém perspicazes homens de grandes negócios, sobretudo, os endividados em dólares. . A venda de monopólios e concessóes monopólicas funcionaram durante muito tempo como um chamariz para capitais estrangeiros. . E por que não o lograram? Por duas boas e simples razões. Acredita-se . em primeiro lugar,no mundo civilizado, que um país deva ter equilíbrio em suas relações econômicascom o exterior e, em segundo lugar, é de bom tom um relativo equilíbrio nas contas públicas internas.São os chamados fundamentais. E, de preferência, poreria-se adicionar a estas duas premissas uma certa dose de crescimento econômico sério, sem mágicas pré-eleitorais ou coisas do gênero.O golpe de misericórdia veio no dia 10 de setembro, quando pequenos e médios poupadores procuaram abrigo nos dólares..Voltemos aos detalhes. Nos últimos quatro anos o Brasil acumulou um déficit sistemático em sua transações correntes com o exterior, isto é , :balança comercial + seviços . Em relacão ao PIB: 2,5% em 1995;3,14% em1996; 4,20% em 1997; 4,oo% em 1998 (estimado). Um aspecto pitoresco ,não fosse tanta a dimensão da tragédia, foi a farra dos turistas brasileiros pelos países do Primeiro Mundo, componente significativa na somatória dos números acima , via conta turismo. . Em relação as nossa contas com o exterior acho que cabem algumas considerãções sobre o movimento de capitais.O congelamento cambial, durante esses anos, nos levou a uma necessidade extrema de elevação das taxas de juro afim de atrair os chamados capitátais voláteis como forma de minorar ou melhor, financiar o problema acima. Utilizou-se ainda de um segundo estratagema: , a saber, a venda de monopólios estatais. Que negócio mais atrativo que comprar monopólios e concessões monopolicas? A coisa, obviamente, funcionou. Nossas centrais elétricas e de telefonia passaram, em grande parte, para mãos estrangeiras. Além desses dois aspectos citados acima e por razões diferentes foram vendidas aos estrangeiros talvez nossas melhores empresas do setor privado, como Cofap, Metais Leves,Freios Varga, etc. .Ahh , os dólares que teremos que gerar no amanhã para remessa de lucros e dividendos! A dívida externa privada, segundo uma reportagem recente da Folha-30/8/98,teria saído de um patamar de US$ 38 bilhões em 1995 para US$ 108 bilhões em1998. Há outras estimativas superiores a esta. ..A origem desses números, rovavelmente, seria de ordem financeira-: banqueiros e grandes montadoras nacionais que teriam tomado dinheiro bsarato no exterior para ganhar com nossos juros altíssimos. No primeiro caso, os basnqueiros financiararam , ao logo desses anos,o déficit público e no segundo, a venda, devido a enorme diferença das taxas de juros nacionais em relação aos internacionais, de seus produtos automobilísticos, além do envio apressado de dividendos. .Os dados são vagos e esta é apenas uma hipótese,. Os investimentos diretos, produtivos,em novas plantas,etc, saão titicas de galinhas Ou foram voltados para balões de ensaio da indústria autoobilístca internacional -Honda, Toyota, Renault, que provavelmente darão com os burros n'água,ou para negócios da telefonia- Motorola, Tess, Lucent, etc- recentemente privatizados e devidamente monopolizados ou ainda, entre outros, casos como o do grupo sueco Alpha aval- tanques de resfriamento para a indústria leitera- com investimenos- da ordem de 4 milhões de dólares. A somatória do déficit público mais o déficit em transações correntes, hoje, gira em torno de 11% do PIB, isto significa algo em torno deUS$ 88 bilhôes de dólares anuais, isto é, US$ 7 bilh-oes mensais, isto é, US$ 233 mihões mensais, isto é, , 8 milhões diários, isto é, meio-dia de déficit! Dinheiro de pinga em bom português. ..Ou então , se estes argumentos não fossem suficientes como explicar, ao mundo civilizado, esta enxurrada de investimentos com crescimento zero , senão que negativo. Afinal, as contas nacio9nais para oa ano ainda não foram fechadas.. O déficit público é um pouco mais difícil de estimá-lo pois aqui existm, até agora, nada menos que tres estimativas: o nominal , o primário e o operacional,. No seu conceito de nominal apuramos as seguintes cifras em relação ao PIB:7.2% m 1995; 5,9%% em 1996 ; 6,1 %em 1997; 7,1% em 1998 (ritmo até aqui). A dívida pública líquida- União , Estados e Municípios-, resultado desses déficits, depois de praticamente estabilizada em 1991,1992,1993, cresceu em proporções geométricas, passando de US$ 150 bilhões em 1994 para algo em torno de US$350 bilhões em 1998( estimado) E isso, apesar de dezenas de bilhões de dólares que adentraram-se ao país por conta das privatizações.. Que bela perfomance!Una pergunta, ainda que vaga do ponto de vista teórico é : poderíamos haver vivido uma metamorfose entre inflação e dívida pública como parece foi o caso da Rússia? Puxando um pouco a memória o ano de 1994 foi o da preparação da primeira grande vitória eleitoral do Real e uma contribuição do topete mineiro para a grande partida do agravamento do problema dos déficits. .. .No entanto, o Plano Real foi o grande cabo eleitoral, pois acabou com a inflação .. Por que? Porque as pessoas estavam exaustas de conviver com hiperinflações: trocava-se dólares pela manhã , destrocava-se à tarde, ou então , telefonemas diários aos gerentes de bancos para a escolha das mais rentáveis aplicações. Uma correria infernal para preservar o valor da moeda, ou melhor, do trabalho, .para a grande maioria dos que lidam com pequenas somas : assalariados, profissionais liberais, pequenos e médios empresários. Os banqueiros, no caso brasileuro, foram os únicos e grandes privilegiados.naqueles peíodos de hiperinflações. .Eles tremeram com a bancarrota, mas aqui, eles serão sempre os grandes vencedores. Foram sustos passageiros. .Em outubro de 97 a crise bancária e cambial no sudeste da Ásia trouxe suas ondas até aqui. Quando o sujeito-Brasil- está com a água no nível da garganta qualquer ondinha, por mais distante que seja sua origem incomoda.Na verdade lá , excluindo-se o Japão, único país do Primeiro Mundo com dificuldades ecônomicas na atualidade os tigres asiatícos viviam espamos de crescimento econômico. De fato os dados econômicos são claríssimos neste sentido. Nas últimas décadas eles aumentaram maravilnosamente sua renda per cápita. Lá não existem favelas, sem-teto ou acampamentos de sem-terra.Não disponho de dados sobre índices de assassinatos, assaltos à mão armada,,etc,mas certamente esses nada tem a ver com nossa realidade.O nosso problema não era de espasmos de crescimento senão que primeiros sinais de estertores. próprios da estagnação. Esta a piccola diferenza. A mídia colocou tudo num saco só. É difícil diferenciar o que se deve a inconsciência ou ausência de diagnóstico de uma razão mais prosaica, a saber, o bolso..O bolso talvez seja o fator determinante ,neste caso,para a configuração do inconsciente, excepções à parte. Foi este o caso. O Banco Central "heroicamente" elevou os juros à estratosfera e segurou as pontas.A coisasfuncionou. A única pena foi o fato que novas e já cambaleantes pequenas e médias empresas engrossaram o processo de falências, até então já consideráveis e, como seqüela natural, o aumento dos indigestos níveis de desemprego. Na verdade, apesar da má qualidade de nossas estatísticas o Real dobrou,no mínimo, em apenas quatros anos, o nível do desemprego. Em agosto de 98 dois países pareciam extremamente frágeis: Rússia e Brasil, excluindo-se aqui outros pa´ises submergentes de menor importância, como Venezuela,etc.A Rússia como a Venezuela entre outros aspetos, sofriam dos baixos preços do petróleo, enquanto que o Brasil, ou melhor a Petrobrás, aproveitava-se para encher seu caixa. O preço do óleo diesel continuou estável. De qualquer forma , o caldo continuou engrossando.No dia 17 de agosto a Rússia decretou moratória externa e interna e o rublo despencava dia a dia., Depois veio o congelamento das contas bancárias para pessoas físicas.. A mídia brasileira afirmava enfaticamente que o Brasil não era a Rússia mas, de fato, a coisa começou a ficar russa! O governo acionou eu arsenal de maldades, porém foi tudo em vão. Os dólares, qual andorinhas super espertas, já haviam iniciado sua revoada rumo ao norte, sem nenhuma consideração a época do ano.. As bolsas brasileiras, na verdade já haviam iniciado um proceso de queda livre a partir de agosto de 98. Durante o mês, algo da ordem de 40% como em todo o mundo, segundo os principais canais de televisão locais! A culpa era de Nova York.Nos primeiros dias de setembro a culpa foi transferida para a Moody´s, agência especializxada em classificação de riscos para países emergentes e submergentes e logo para a mais importante dessas agências, a saber, Não cabia a menor dúvida: o eepicentro da débacle era o Brasil, ou melhor, a farsa do Real. Como toda farsa seus dias estavam contados. Compra-se tempo mas as vezes ele não é o suficiente.para o grande objetivo final. Este pode até ser conseguido mas por razões outras. Afinal, vencer um poste barbudo de lenço vermelho no pescoço em parceria com um gaúcho,seja este farrapo ou maragato, mesmo com a farsa desfeita, não é empreita das mais grandiosas.Mesmo assim a preocupaçao existe e as arritmias idem. Afinsal, o dia D, sob determinadas condições de temperatura e pressão, chegou. As sólidas condições de congelamento se desfizeram e o líquido fluiu. Qual o próximo passo? O default ou a moratória ? Mera questão semântica. . |